Curto Papel

Rogério Eduardo Alves | Editor

Se dependesse dos romances e filmes, a vida de um editor seria apenas boemia, amigos e glamour. Mas há muito trabalho duro por trás da pessoa que, com o seu conhecimento e trabalho duro, nos ajuda a descobrir novos mundos a cada leitura.

Em entrevista para o Adoro Papel, o editor Rogério Eduardo Alves, gerente de ficção e não-ficção da Editora Saraiva e responsável pelo Prêmio Benvirá (apoiado pela International Paper Brasil), revela um pouco mais sobre a realidade desse ofício tão nobre. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas e Letras pela USP, Alves é doutor em Teoria Literária e antes de trabalhar com livros escrevia para o jornal Folha de S.Paulo. Foi editor executivo e gerente editorial da Editora Planeta do Brasil até que, há um ano, chegou à Saraiva. Na semana em que comemoramos o Dia do Editor, ele nos conta um pouco sobre o seu trabalho.

 RogérioAdoro Papel: Como é a rotina de um editor?

Rogério: O editor não tem rotina. Quanto mais quebrada for a rotina, melhor. Ele precisa estar aberto às novidades e surpresas. Nem mesmo o editor de texto tem uma rotina, pois cada livro apresenta um desafio diferente.

 

Adoro Papel: E quais são os principais desafios para esse profissional?

Rogério: O maior desafio é encontrar livros que farão a diferença para as pessoas. E para isso, o editor precisa estar plugado com o mundo, saber de vários assuntos e conhecer muitas pessoas diferentes.

 

Adoro Papel: O que há de mais recompensador no seu trabalho?

Rogério: Ver as pessoas gostando do livro editado. E melhor ainda, que sejam tocadas pela obra.

 

Adoro Papel: Qual é a importância do editor para o mercado de livros?

Rogério: Apesar do selfpublishing [método em que o autor publica o próprio livro, sem envolver outras partes], o editor é o profissional que consegue fazer a seleção do que vale a pena ser lido. Mais ainda, é aquele que consegue dar sugestões para o autor melhorar a sua obra. Depois do texto feito, é o editor quem também dá instrumentos para o trabalho do Marketing e de Vendas.

 

Adoro Papel: Que conselhos daria para quem quer se tornar editor?

Rogério: Leia muito e estude ainda mais. Ser editor parece fácil e glamuroso, mas não é nada disso. É um trabalho pesado e de muito suor.

 

Adoro Papel: Qual é sua participação no prêmio Benvirá e qual a importância dele para a literatura nacional?

Rogério: Faço parte da equipe que avalia os originais inscritos. O Prêmio Benvirá, por ser imparcial, sem dar preferência a autores consagrados ou não, novos ou velhos, vem fazendo sua história dando espaço para obras de alta qualidade.

 

Adoro Papel: Os livros impressos em papel continuam sendo importantes em um mundo cada vez mais digital? Por quê?

Rogério: Quem já tentou levar um e-reader ou um tablet para a praia sabe que o livro em papel é imbatível. Mas as inovações digitais vieram para ficar e nos abrem um mundo de possibilidades criativas, tanto de edição quanto de escrita literária. Devemos parar de tentar combater a inovação e aproveitá-la.
Adoro Papel: Como é sua relação com os livros fora do trabalho? O que gosta de ler, como escolhe uma boa obra?

Rogério: Meu hobby é ler, por isso, passo dia e noite com livros na mão ou no e-reader. Leio de tudo. Do clássico ao blockbuster. Mas nas folgas prefiro mesmo a poesia e o teatro, que abrem portas diferentes para a palavra escrita.