Curto Papel

Carlos Meira | ilustrador

Ele é referência em esculturas de papel no Brasil e trabalha há 13 anos com a técnica. Carlos Meira sempre quis viver de ilustração, mas descobriu em Portugal, no ano de 2000, seu talento para moldar papel e criar obras delicadas e surpreendentes. Até o dia 13 de outubro, algumas delas estão reunidas na Casa das Rosas, em São Paulo, na exposição Adoro Papel. O evento, realizado pela International Paper, mostra o potencial que o material tem na arte, além de abordar temas importantes para a empresa, como o compromisso com questões sociais e ambientais. Depois de passear pela exposição, conversamos com Carlos sobre seu trabalho. Confira!

Carlos, como começou a sua história com as esculturas?
Foi em Portugal, onde vivi nos anos 1990. Eu era diretor de arte em um agência, mas não consegui me recolocar nesse mercado em Lisboa. Consegui um trabalho em uma fábrica de papel como designer gráfico e surgiu a oportunidade de criar um anúncio para uma linha de produtos. Eu apostei em uma escultura e as pessoas gostaram bastante. Depois disso, fiz outros trabalhos de arte com papel para a empresa. Na volta ao Brasil, nos anos 2000, tive a oportunidade de atuar como ilustrador e segui fazendo esculturas, que foram ganhando repercussão com o tempo. Hoje, faço trabalhos para diversas agências de São Paulo e também para fora do país.

Mas você sempre soube que queria trabalhar com isso?
Sou ilustrador há 13 anos, e há pelos menos seis anos eu só ilustro com a técnica de escultura em papel. Eu confesso que quando eu comecei, lá em Portugal, eu não imaginava que isso poderia acontecer. Eu fui contra a corrente, fazendo uma técnica que eu conheci quando era estagiário, mas que pra mim já tinha morrido. Mas eu não quis saber, era apaixonado por isso.

Você acha que o papel ainda tem muito potencial para a arte?
O papel vai durar para sempre. De uns três, quatro anos pra cá, artistas do mundo inteiro estão trabalhando com este material. Eu recebi um convite de uma revista chamada Paperkraft, de uma editora alemã, para participar do segundo volume de um livro que eles produziram para mostrar obras de artistas que se dedicam somente ao papel. Nos anos 1990 tínhamos a sensação de que tudo seria digital. Agora, vemos um movimento contrário, de resgate e valorização do papel.

Como é o seu processo de criação?
Tudo começa com um rascunho, eu uso muito o papel vegetal para isso. Depois da aprovação do cliente, eu desmembro os elementos, transformo num quebra-cabeças, recorto todas as peças, junto e monto. É um processo demorado, para criar um quadro com tranquilidade, por exemplo, eu preciso de uma semana.

Qual foi o maior desafio para produzir as obras da exposição Adoro Papel?
Cada trabalho é um novo desafio, eu aprendo fazendo. Para a International Paper, o desafio era trabalhar com um papel diferente, o Chambril, e eu tive que adaptar minha técnica para isso. Confesso que o resultado me surpreendeu, porque no início eu fiquei meio assustado (risos). Mas ele respondeu muito bem aos meus testes e gostei muito do trabalho final. A exposição é muito bacana porque você tem essa experiência real, consegue ver em detalhes como são feitas as obras. Algumas pessoas, pela foto, nem entendem. Já recebi mensagens me perguntando qual programa eu usava para fazer as ilustrações (risos). Enfim, adoro fazer exposições.

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