Tablet e papel: complementares na educação

O uso de tablets em escolas já é uma realidade. No ano de 2012, por exemplo, o Ministério da Educação adquiriu 600 mil tablets para o uso de professores do Ensino Médio em escolas públicas.

De acordo com uma estimativa da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), cerca de 30% das escolas do país adotam o uso dos aparelhos em sala de aula. Porém, os pais costumam se perguntar se existe uma idade certa para o uso dos eletrônicos em sala de aula.

Ou se deve ser colocado um limite para o uso dos tablets por crianças pequenas, em especial em fase da alfabetização. Tablets x crianças A fonoaudióloga Vânia Pavão Silveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) explica que os tablets e o papel podem ser complementares em determinadas tarefas. “Ao aprender a ler e escrever a criança descobre o princípio alfabético, ou seja, a possibilidade de correlacionar sons e letras e vice-versa.

Os povos e culturas têm línguas diferentes e, ao longo dos tempos, inventaram diferentes códigos escritos para representá-las. A língua escrita é uma construção social a ser apropriada pela criança”, explica. Para os pais e educadores, é importante entender o estágio no qual as crianças estão e quais tarefas irão ajudá-la a refletir sobre o idioma e avançar na construção de conhecimento, complementando meios analógicos e digitais. “Qualquer ferramenta, para ser dominada, precisa de experimentação e tempo”, ressalta Vânia.

No uso do papel, por exemplo, a aprendizagem da leitura e da escrita se inicia antes da alfabetização escolar. “A escrita no papel é resultado de um longo processo, desde os primeiros rabiscos, passando pelo desenho significativo, até chegar aos símbolos gráficos.

Além do componente simbólico, exige um grande controle motor fino, que precisa ser exercitado para ser automatizado”, explica Vânia. Ao escrever, pensamos na mensagem que queremos transmitir e em cada movimento que precisamos fazer.

Vale ressaltar que nenhuma ferramenta – seja tablet ou papel – deve ser um fim em si mesma, e sim atuar como aliados do desenvolvimento. “É necessário conhecer suficientemente os recursos materiais e tecnológicos disponíveis a fim de poder aplicá-los de forma diversificada, divertida e produtiva”, finaliza Vânia. Você tem filhos ou amigos que usam tablets nas escolas ? Qual é a sua opinião sobre o tema ?