Curto Papel

Conheça o trabalho de Leska, um artista daltônico

Quando eu era criança, gostava de desenhar. Sempre desenhei muito bem. Eu lembro que ficava vidrado na frente da televisão, tentando desenhar meus personagens preferidos. Tudo eu queria desenhar, seja da TV ou tentando copiar alguma coisa. Aí você vai crescendo e perdendo um pouco o hobbie de desenhar, porque as prioridades vão virando outras. Em uma fase da minha vida, dos 11 aos 20, eu simplesmente esqueci o que era desenhar, pintar ou fazer algo do gênero.

Nesse meio tempo, descobri que era daltônico. Tomei bronca da minha professora do pré porque eu pintava o tronco da árvore de verde e a grama de marrom! Ela me deixou de castigo. Mas é genético, meu pai é e meu irmão também. Antes disso não desconfiavam, porque criança pinta tudo errado mesmo (ri).

Quando eu tinha 20 anos, fui morar em Lisboa e lá conheci uma pessoa que hoje é minha amiga, uma ilustradora conhecida como Lapo. Eu gostava do trabalho dela e ela começou a me incentivar, falava que eu tinha que desenhar. E eu voltei a rabiscar algumas coisas até que, aos poucos, com prática, eu fui achando meu próprio estilo e voltei a ficar empolgado com isso. E de lá pra cá eu não parei. Demorou mais uns dois anos para eu achar o estilo que gosto de fazer. Com o tempo, você vai ficando feliz com a sua evolução porque acha a sua própria personalidade.

Como é difícil ganhar dinheiro com arte, eu tenho ela como segundo emprego. Até por isso, acabei indo para Portugal, para trabalhar com propaganda. E foi quando eu desenvolvi meu lado criativo, acho que a agência portuguesa era uma mistura de pessoas de diversos países com gostos e habilidades diferentes, o que incentivava e motivava as pessoas a fazerem coisas fora do ofício.

Hoje eu faço coisas mais consistentes, artisticamente falando, acho que são projetos mais conceituais. As obras ficam mais fortes quando você tenta passar para o espectador não só uma estética, como também uma ideia. Quando tem um conceito por trás fica muito mais fácil sustenta-lo, você conta uma ideia para as pessoas e, junto com ela, tem um visual que também encanta e, assim, fica muito mais fácil de conquistar o observador.

Eu chuto que as cores fortes que eu uso em minhas obras deve ser alguma coisa do daltonismo. Sempre olho mais para elas quando vou criar algo, acabo usando a mesma paleta de cores.

Nessa fase nova, tudo o que eu fiz foi sempre em papel. Acredito que não há uma explicação lógica. Acho que tenho mais intimidade com o papel. E aí, como o material tem uma diversidade grande, eu consigo resultados inusitados só mudando o tipo de papel, a gramatura… Prefiro fazer as coisas no papel mesmo ☺

Confira algumas de suas obras abaixo e para conhecer mais o trabalho de Leska, acesse: http://leska.com.br/