Curto Papel

Professora e papel, uma relação inseparável

Admalucia Chiappetta JabbourEu sou muito suspeita para falar, porque eu realmente adoro papel. Desde sempre escrevo muito e não sou muito da era digital. Acabo usando um pouco esses meios por conta do trabalho, mas, se puder, uso papel e caneta em todas as vezes.

Hoje, trabalho como Coordenadora de uma escola da rede pública da cidade de São Paulo, mas a vida de professora começou cedo na minha vida. Desde criança, já tive um primeiro envolvimento com o ensino, minha mãe era professora do Ensino Infantil e isso me inspirou muito a seguir como carreira. Fiz magistério e, em seguida, estudei Pedagogia, pois sabia que era isso que eu queria como profissão. E não foi só eu, meus dois irmãos seguiram o mesmo caminho, uma também trabalha com crianças e o outro é doutorado.

Minha primeira turma foi aos meus 18 anos, na educação infantil. Depois, com o falecimento da minha mãe e alguns entes da família, minha vida sofreu uma revira-volta e decidi entrar para a rede pública de ensino. Comecei no Estado e depois fui para a Prefeitura. Cheguei a trabalhar 12 horas por dia, em duas escolas. Foi quando conheci uma coordenadora muito competente e compromissada que acabou me incentivando a estar à frente da escola. Todas as dúvidas que eu tinha, ela chegava com uma nova proposta, o que é muito raro na rede pública.

O momento me pediu para seguir como coordenador, apesar de gostar muito da sala de aula. Como professora, o retorno dos alunos era mais imediato, pois você tem a capacidade incrível de trazer um mundo de descobertas para eles. Já na coordenação, isso fica mais distante, porque eu lido com adultos, que já tem consciência e ideias mais fixas. Mas é legal trazer as famílias para a escola, explicar o que está acontecendo e poder ajudar as crianças de outra forma.

A vida como professora, apesar de não ser fácil, também pode ser muito gratificante. Teve um fato que me chamou muito a atenção quando eu trabalhava no Brás, onde há muitas famílias desestruturadas. Foi a minha primeira turma da rede pública e meu primeiro ano como alfabetizadora, por isso, eu duvidava muito do meu potencial. Estudei e pesquisei muito para poder dar o meu melhor numa turma de 42 alunos. Entre eles, tinha uma que chamava Vanessa, que, no final do ano, falou para mim: “Agora que eu sei ler, quero ler muitos livros e estudar, porque não quero vender coisas na rua, como meus pais”.

Um tempo depois, estava andando na rua e ouço alguém me chamar, como meu nome não é comum, sabia que era comigo. Era a Vanessa, que estava num canto do camelô dos pais dela lendo. Foi muito marcante aquele momento para mim.

Um fato curioso como coordenadora é que, hoje, vivo cercada de papel. Tem vezes que alguém entra na minha sala e não consegue me ver por detrás da mesa. Meu porta-malas vive cheio de papéis, eu não vivo sem eles 😛

Essa foi a história da Admalucia Chiappetta Jabbour! Você também tem alguma história interessante relacionada ao papel? Conte pra gente :)