Rachel de Queiroz: mulher, escritora e personagem da história da literatura Brasileira

Certamente você já ouviu a expressão “grandes autores” e imediatamente lembrou-se de suas  grandes obras e dos personagens femininos impactantes que viveram nelas, como Capitu, Iracema e Gabriela: cravo e canela. Mas quando as mulheres deixaram de ser personagens para se tornarem as grandes autoras que conhecemos hoje? Acredite, desde sempre.

O primeiro romance publicado do mundo inteiro foi escrito em 1007 por uma japonesa, a Murasaki Shibiku.  Seu livro “A História de Genji” fala sobre um príncipe em busca do amor e da sabedoria.

Nossa musa da literatura

Aqui no Brasil nós também temos uma pioneira da literatura: Rachel de Queiroz. Nascida em Fortaleza (CE), no dia 17 de novembro de 1910, essa grande autora foi a primeira mulher a conquistar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Rachel estreou seu trabalho no jornal O Ceará em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queiroz. Três anos depois, publicou o romance “ O Quinze” e, com apenas 20 anos, projetava-se na vida literária do país de maneira surpreendente, dando voz a seca nordestina.

Com mais 23 livros individuais e quatro em co-autoria publicados, além de centenas de crônicas que circularam por revistas e jornais, a romancista também foi teatróloga e ainda mostrou sua versatilidade escrevendo três livros infantis.

Rachel de Queiroz faleceu enquanto dormia na rede de sua casa no Rio de Janeiro, com nada mais, nada menos, que 92 anos.  Ela ainda deixou inédito o livro “Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz”, um registro de imagens fotográficas e textos sobre a terra que sempre amou: o Ceará.

Hoje é dia de comemorar o aniversário dessa grande mulher, escritora e personagem da história da literatura brasileira! Por isso, deixamos você com uma poesia escrita por ela. Gostou? Deixe a sua opinião nos comentários!

Geometria dos ventos

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável