Você conhece Clarice Lispector, a escritora mais famosa das redes sociais?

Hoje é o dia dela! Há 71 anos, nascia Clarice Lispector, sem dúvida, uma das escritoras mais citadas na internet. Com o crescimento das redes sociais, é muito mais fácil compartilhar ideias, opiniões e pensamentos. Alguns escritores ficaram populares, ou passaram a ser relembrados, nas redes sociais. Este foi o caso de Clarice, a autora preferida dos usuários de internet no Brasil.

Veja só: uma pesquisa rápida no Google, revela mais de quatro milhões de citações da escritora. Uma página no Facebook com informações sobre sua biografia já tem mais de um milhão e meio de fãs, por exemplo.

A fama na rede

A popularização de Clarice tem dois lados, como tudo na vida: a parte positiva é que a escritora passou a ser conhecida pelo grande público e muita gente teve contato com a sua obra. Porém, é preciso tomar cuidado com as citações que pipocam por aí. Algumas vezes atribuem à nossa querida escritora palavras que nunca foram ditas por ela. A frase “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas”, por exemplo, já foi divulgada nas redes como sendo dela, de Caio Fernando Abreu e de Shakespeare, e tem autoria desconhecida.

Quem foi Clarice

A melhor forma de conhecer um escritor continua sendo ler seus principais livros com dedicação. No caso de Clarice, é impossível desvincular suas obras de sua conturbada biografia. Nascida na Ucrânia em 1920, Clarice e sua família viajaram para o Brasil em 1922, fugindo da guerra e fixam residência em Recife.

Quando criança, ela tentou diversas vezes publicar suas histórias em jornais infantis, mas sempre teve os textos recusados porque eles não continham um enredo, apenas emoções e sensações. Enquanto estudava Direito, começou a enviar contos para diversas revistas e semanários. Aos 22 anos escreveu seu primeiro romance: “Perto do coração selvagem”.

Em 1943 Clarice se casou com Maury Gurgel Valente, que ingressou na carreira diplomática e ofereceu à escritora a oportunidade de viajar para diversos países. Entre idas e vindas, decide ficar no Rio de Janeiro em 1952 e começa a trabalhar em jornais da cidade. Se divorcia e publica, em 1960, “Laços de Família”, livro de contos que lhe rende um Prêmio Jabuti. Em 1964 publica “A paixão segundo G.H” e “A legião estrangeira”.

Após sobreviver a um incêndio provocado por um cigarro, em 1966, Clarice passou dois meses hospitalizada, ficou sob risco de morte e quase sofreu uma amputação. As cicatrizes pós-acidente deixaram Clarice em depressão, e a doença mudou sua perspectiva sobre a vida e a arte.

Na fase pós-acidente estão “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres” e “Água Viva”, além do livro de contos “Felicidade clandestina”. Em 1977 publica um dos seus livros mais famosos, “A hora da estrela” e, no mesmo ano, falece vítima de uma súbita obstrução intestinal.

Em entrevista ao jornalista José Castello, para o jornal “O Globo”, Clarice teve a seguinte conversa:

J.C. “— Por que você escreve?

C.L. “— Vou lhe responder com outra pergunta: — Por que você bebe água?”

J.C. “— Por que bebo água? Porque tenho sede.”

C.L. “— Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva.”
Qual é o seu livro preferido de Clarice Lispector? Conte para nós!