A mulher na literatura brasileira

“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado” Clarice Lispector

Quando falamos sobre Literatura, alguns nomes de escritores masculinos surgem instantaneamente em nossas mentes. Porém, esquecemos que muitas mulheres têm tido um papel fundamental na arte da escrita.

Por questões históricas, as mulheres permaneceram à sombra dos homens em muitos aspectos, inclusive artísticos e culturais. Mesmo assim, elas estiveram presente, agregando valor ao mundo da literatura, desde muito tempo. Contam que o primeiro romance do qual se tem notícia foi escrito por uma mulher: Murasaki Shikibu, uma japonesa da classe nobre, que escreveu no ano 1007 um livro chamado “A História de Genji”. Assim como ela, existem muitas escritoras que ganharam (e continuam ganhando) destaque na literatura mundial, como Jane Austen,  Virginia Woolf, J. K. Rowling, Agatha Christie, Hilda Hist, Stephenie Meyer, Suzanne Collins, Gillian Flynn, Veronica Roth, Cassandra Clare, Cornelia Funk, Cressida Cowell, entre outras.

O papel da mulher na literatura brasileira

No Brasil, as mulheres vêm conquistando, com muita luta, seu posto em muitos setores da sociedade, entre eles a literatura. Nísia Floresta Brasileira Augusta, nascida no Rio Grande do Norte, foi uma das primeiras mulheres a romper o espaço particular dos homens na Literatura e publicou textos em jornais. Seu livro, “Direitos das mulheres e injustiça dos homens” (1932), é o primeiro a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho no Brasil. Outras escritoras também desafiaram o mundo literário brasileiro, como Ana Eurídice Eufrosina Barandas, considerada a primeira cronista do país; Raquel de Queiroz, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras; Clarice Lispector, uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX; e Nélida Pinon, primeira mulher a ser Presidente da Academia Brasileira de Letras.

Para Rosana Cássia Kamita, coordenadora do Grupo de Trabalho A Mulher na Literatura – ANPOLL, “compreender a literatura de autoria feminina é, portanto, não se limitar à visão da tradição literária, mas contextualizá-la observando as relações mantidas com outros textos e as estruturas sociais e culturais que compõem o panorama da época. Somente não observando os padrões estabelecidos foi possível conhecer melhor os textos escritos por mulheres”.

A mulher brasileira na literatura atual

Apesar de terem alcançado um importante espaço na literatura, o número de escritoras continua sendo menor em comparação ao de escritores. É possível confirmar essa realidade pesquisando listas de eventos literários, como a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) ou Semana de 22 (Semana de Arte Moderna).

A escritora e ensaísta, Márcia Camargos, autora de “Villa Kyrial: crônica da Belle Époque paulistana” e “A Semana de 22: entre vaias e aplausos” (livro que obteve o prêmio da Academia Paulista de Letras como a melhor obra de ensaio historiográfico de 2003), foi a única mulher brasileira convidada na FLIP de 2011. Para a escritora, “ainda há a tradição de que a mulher primeiro deve desempenhar seus papeis de dona de casa, mãe e esposa, e com o tempo que sobra faz literatura”. Essa realidade é um reflexo da cultura da nossa sociedade, que aos poucos está sendo transformada. “Não há uma diferença de qualidade literária entre o homem e a mulher. Existem pequenas diferenças no olhar feminino pelo papel que a mulher desempenha na sociedade, mas isso não influencia a qualidade”, reforça Márcia. A solução proposta pela escritora para aumentar a presença da mulher na literatura é começar a discussão e propor às pessoas que lideram o mercado literário fazerem uma autocrítica, para refletir se elas olham da mesma forma uma obra de um homem e a de uma mulher. “Não estou falando de cotas, mas de uma decisão mais consciente”, defende.

Assim como Márcia Camargo, existem, na atualidade, várias escritoras que estão mostrando a importância da mulher na literatura brasileira. Carol Bensimon, Martha Medeiros, Jane Tutikian, Cíntia Moscovich, Lya Luft, Monique Revillion,  Luisa Geisler e Eliane Brum, são algumas delas.

E você, quais são suas escritoras favoritas?

Fontes: Brasil Escola, AELN, O vendedor de livros,  GT A mulher na literatura e Overmundo.