Curto Papel

O papel eterniza o meu trabalho

Conheça o trabalho e a história da ilustradora portuguesa Marta Carvalho, que redescobriu o desenho, depois de mudar-se para São Paulo. Ela eternizou seus trabalhos na TOKA, criada em 2014, e expressou sua paixão pelo desenho, na busca pela própria linguagem como ilustradora.

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Minha paixão pelo desenho começou ainda criança. Adorava as aulas de educação visual, era uma das disciplinas que eu tirava as melhores notas. Sentia que conseguia me expressar livremente, sem pensar em mais nada. Meu pais ainda guardam todos os meus trabalhos dessa época pendurados na parede de casa.

Quando entrei na faculdade de Design Gráfico, no IADE (Instituto de Arte, Design e Empresa) em Lisboa, Portugal, comecei a trabalhar muito no computador, o que fez com que o contato com o desenho se desvanecesse. Minha cabeça se formatou para o digital e o hábito do manual acabou ficando de lado.  E foi aqui no Brasil que essa paixão voltou, senti a necessidade de pegar na caneta e no papel e voltar a traçar aquilo que sentia. Inclusive, no meu curso, eu tento resgatar isso, precisamente: as emoções que colocamos de lado por conta da vida, do dia a dia, mas que é tão importante e vital para quem gosta de desenhar.

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Mudança de país e retorno à antiga paixão

Quando pensei em vir para São Paulo, tornar-me artista ou ilustradora não estava nos meus planos, muito menos fazer a minha própria carreira. Vim para cá para trabalhar na mesma agência em que trabalhava em Lisboa. Mas, depois de um ano, percebi que não me identificava com aquela profissão e estilo de vida.

Portugal e Brasil são países irmãos, como se costuma dizer, mas as diferenças culturais são significativas. Apesar disso, a adaptação foi tranquila para mim, o mais difícil é lidar com as saudades. Mas foi aqui, em São Paulo, que resgatei a paixão pelo desenho, que senti necessidade de partilhar e transmitir mensagens, pensamentos, sentimentos, emoções, ideias… E o melhor de tudo, consegui atingir um número de pessoas que se identificam com o meu trabalho, que valorizam e me permitem seguir fazendo aquilo que amo.

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O papel é onde tudo nasce

O papel é a base de qualquer artista, eu acho. De uma ideia que toma forma, de uma palavra escrita, de novas inspirações e referências, é onde tudo começa e acaba. O meu processo criativo é no papel e, de preferência, no meu diário gráfico, que tem uma mescla de diversos papéis, para que eu possa experimentar diferentes soluções. A textura, o brilho, a cor, tudo nele pode ser determinante para a qualidade do trabalho. Além disso, ele eterniza o meu trabalho, está sempre comigo e é por meio dele que meus traços ficam estampados na casa das pessoas. E isso é lindo demais!

Meu processo criativo surge a partir de histórias, que eu peço para meus clientes contarem, quando o trabalho deve seguir um briefing. Com base nisso, desenvolvo uma série de palavras-chave e elementos que transmitam essa história, ideia, conceito ou mensagem. A partir daí, solto a imaginação e vou desenhando. Já, quando desenvolvo ilustrações autorais, coloco um pouco de mim em cada ideia e traço.

A saudade é um dos motes para o meu processo criativo. A mudança, a liberdade, a palavra, o poema, o Amor, a simplicidade, a figura feminina e a delicadeza são alguns temas em que me inspiro. Tento sempre que meus desenhos passem uma mensagem positiva e meu objetivo, com isso, é que a pessoa sinta-se bem ao “ler” meus desenhos. Acho que isso é o principal, é como um ato de magia que acontece naquele instante e é o que mais aquece o meu coração e me dá forças para continuar fazendo isso.