Curto Papel

“O que tenho com o papel é uma verdadeira relação de amor”

Conheça a história da ilustradora Amanda Mol que desenha o universo feminino com “ar de menina”

Tenho uma relação tão afetuosa e natural com o desenho que é como se ele fizesse parte de mim, desde sempre. A minha atividade preferida, quando criança, era desenhar e fazia isso em todas as “superfícies brancas” que eu encontrava – cantinho de apostila, agenda de escola, cartinha de amigas, tela, paredes. Sempre foi muito familiar pegar em um lápis ou caneta e começar a rabiscar!

Percebi que eu poderia tornar essa paixão em uma forma de trabalho durante a faculdade de Design de Moda, que cursei quando morei no Rio de Janeiro. As disciplinas de desenho e estamparia me apresentaram um universo que, até então, eu desconhecia. Até aquele momento eu só via o desenho como um hobby e uma distração gostosa. Então, no meu último período, resolvi apostar as minhas fichas em um trabalho autoral que uniria essa habilidade desde menina – ilustrar – e tudo que eu havia aprendido na graduação de moda. E assim comecei a rabiscar meus primeiros projetos!

Delicadeza_AmandaMolInspiração e processo criativo

Gosto de pensar que o processo de criar não precisa ser difícil ou complexo e se for despertado com facilidade é porque estou no caminho certo! Coisas simples e casuais me inspiram. A paz e a tranquilidade do meu dia-a-dia no atelier, perto das minhas flores, com o sol e o céu ao alcance dos olhos, são minhas maiores inspirações e o que mais contribuem para o meu processo criativo. Se estou onde quero estar, em um ambiente que me traz serenidade e alegria, está tudo perfeito – a tal da “inspiração” chega rapidinho! Aí, o que preciso para trabalhar é simples: caneta e uma folha de papel. Meu processo criativo começa aqui, em uma folha branca – seja criando uma ilustração ou anotando ideias, é ali que tudo ganha asas.

Relação com o papel

O que tenho com o papel é uma verdadeira relação de amor. Desde menina escrevo em diários, customizo meus próprios cadernos, escrevo cartas e coleciono caderninhos de bolsa. Sempre adorei o fato de estar diante de uma folha branca e me surpreender minutos depois com algum sentimento sendo “materializado” em forma de desenhos ou palavras. Acho que o papel é um dos maiores aliados em meu processo de evolução e crescimento. E hoje, com muito orgulho, é uma das principais matérias primas do meu trabalho também!

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A mulher e o universo feminino

O universo feminino sempre me encantou! Acho que nós mulheres somos versáteis e podemos ser milhares em apenas uma. Por isso gosto de representar o nosso mundo e aquilo que amamos, partindo do que conheço de mim e de todas as mulheres encantadoras que admiro!

A mulher nas minhas ilustrações é múltipla, misteriosa e com ar de criança. Aquela velha história de mil mulheres em uma só! (rs) Imagino minhas mulheres como “adultas do bem”, simples, felizes e sem perder o seu jeito de criança. Mesmo nas ilustrações mais sensuais o ar de menina não se perde! E assim sigo acreditando que, se evoluirmos a cada dia, sem esquecer o nosso lado ingênuo e sonhador, tudo vai bem e vida fica ainda mais bonita!