Curto Papel

Correntes positivas: os papéis que colorem o cotidiano das cidades

Veja como o artista plástico Kléber Marcelino faz intervenções urbanas com trabalhos feitos de papel

A minha relação com o papel permeia a minha realização com a arte. Desde criança, o material foi o suporte para a criação de meus desenhos e projetos. Na adolescência tinha pastas de desenhos para levar a escola e fazia pequenas exposições itinerantes. Hoje, revisito a minha história e faço intervenções artísticas em espaços urbanos através de obras feitas de papel.

Memória afetiva que inspira a produção artística

O meu trabalho com papel remete aos relatos de minha mãe sobre o passado de nossa família, quando a minha avó produzia várias correntes de “homenzinhos” de papel para decorar a casa.

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Por vezes, acabo me distanciando de familiares e de pessoas próximas em busca de uma produção autoral, e até conceitual. As correntes de papel que espalho pela cidade me reaproximam de todos e trazem o cotidiano para dentro da minha arte.

Corretes positivas de papel

Nesse cenário, surgiram as “Correntes Positivas”, que envolvem a produção de obras com o menor custo possível e buscam a maior proximidade com as pessoas. Dessa forma, a intervenção em espaços públicos e a exibição para o público tornaram-se parte importante de meu processo criativo.

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Na produção das correntes, o desenho e o corte são feitos sobre o papel dobrado. Ao final dos processos, sempre uma surpresa: a cada desdobrar do papel, a descoberta de uma corrente, de uma imagem única, feita totalmente a mão.

Espaço público como tela, moldura e pedestal para a arte

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Observar a rua como galeria sempre me interessou. De alguma forma, faltava pensar na minha produção como algo significativo, que fizesse sentido a partir da rua e que pudesse dialogar com a ela.

 

Assim, o papel (suporte) e a rua (galeria) uniram-se no projeto “Correntes Positivas”. Ao questionar a possibilidade de uma maior interação com o público, num exercício de apropriação, em que me aproprio do espaço p160817_blog_02 (2)úblico para expor meus trabalhos, eu provoco o observador a apropriar-se das minhas obras.

As grades, os bancos, as árvores, conectam-se com as minhas obras como pedestais. Tudo dialoga e serve para contar diferentes histórias e formar composições diversas, dependendo do ponto de vista do observador.

Instigando a interação com as pessoas e a ocupação do espaço público, o projeto começa a expandir para fora de São Paulo. Após receber mensagens através das redes sociais, enviei pelo correio algumas correntes para intervenções que acontecerão em Curitiba.