Frida Kahlo e suas cartas de amor

Veja como a artista eternizou suas paixões em mensagens intensas e atemporais

Assim como a arte transformou-se em espelho da luta constante contra a dor e da superação dos preconceitos de Frida Khalo, as cartas enviadas por ela durante toda a sua vida nos ajudam a entender a complexidade de um dos ícones mais importantes da história da arte mundial.

Desde cedo, Frida aprendeu a lidar com os desafios e a lutar pela vida e por seus amores. Durante a infância contraiu poliomielite, que a deixou com uma lesão em uma das pernas. Em 1925, sofreu um grave acidente de ônibus, que a obrigou a fazer dezenas de cirurgias durante a vida.

Nada disso, no entanto, a impediu de expressar seus sentimentos e de amar. Suas paixões avassaladoras confundem-se com as suas produções artísticas e foram eternizadas em algumas cartas e diários. Na adolescência, Frida já demonstrava personalidade e autoconsciência ao escrever para Alejándro Arias, colega por quem se apaixonou enquanto estudava na Escola Nacional Preparatória (a melhor escola do México).

“Alex: Recebi a sua nota ontem às sete da noite, quando eu menos esperava que alguém se fosse lembrar de mim, e muito menos o Dr. Alejandro, mas felizmente estava enganada… não sabe o quão feliz fiquei quando teve confiança em mim como se eu fosse uma verdadeira amiga e falou comigo como nunca tinha falado antes, ainda que me diga com um pouco de ironia que eu sou tão superior e estou muito além de si, verei o motivo dessas palavras e não verei o que os outros vêem nelas… e pede-me os meus conselhos, algo que eu daria com todo meu coração, se a pouca experiência dos meus 15 anos valesse alguma coisa, mas se boas intenções são suficientes para si, não só os meus humildes conselhos como toda eu sou sua…
Bem Alex, escreva-me muitas vezes e longamente, quanto mais longo melhor…”

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Os 27 anos da relação conturbada e conflituosa de amor e dor que teve com Diego Rivera, com quem foi casada duas vezes, também foi registrada em cartas de amor, encontradas no diário de Frida Kahlo. Elas revelam as alegrias, as angústias, a devoção e o desejo entre o casal.

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Em 2015, 25 cartas inéditas de Frida Kahlo foram leiloadas em Nova York e revelaram uma paixão quase adolescente pelo espanhol Josep Bartolí, que foi o seu amante na fase final de sua vida. As mensagens de amor foram escritas às escondidas de Diego e foram guardadas amorosamente por Bartolí dentro de envelopes, junto a pequenos objetos e fotos que marcaram os três anos de relação do casal (1946-1949).

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“Me lembrei de suas últimas palavras e comecei a pintar. Trabalhei a manhã toda e depois de comer até não haver mais luz. Mas logo me senti extenuada e tudo me doía (…) Por você voltei a pintar, a viver, a ser feliz. Você é minha árvore da esperança”.