A força e a sutileza do papel

A convite da Japan House, o Adoro Papel foi conferir a exposição SUBTLE: Sutilezas em papel do designer japonês Kenya Hara

O papel branco simboliza um novo começo. Ao dobrá-lo, damos novo formato e identidade. Quando escrevemos, damos significado e importância. De tão simples, ele ganha uma força capaz de transformar e melhorar o nosso dia a dia. De tão versátil e útil, se destaca em projetos e exposições com foco em design, tecnologia e sofisticação. Assim é a mostra SUBTLE – Sutilezas em papel, apresenta a força e a sutileza de um material presente em todos os momentos da vida.

170805_blog01

Com curadoria e direção de arte do designer Kenya Hara, a primeira exposição itinerante da Japan House, chega a São Paulo para surpreender e ampliar o olhar para o papel. Familiar e acessível, o material é apresentado em criações inovadoras que despertam os sentidos das pessoas, por meio de experiências múltiplas e sofisticadas de design e tecnologia. “Uma das razões pelas quais o mundo tem se afastado da ideia de usar o papel é o fato de que ele requer um volume muito maior para armazenar informações que outras alternativas, embora seja uma ferramenta vital para a comunicação”, destaca o designer japonês.

170805_blog02

“Dessa forma, tentei facilitar o contato visual entre as pessoas e o papel. Meu conceito é mostrar o papel como um “condutor” de sensações, sentimentos e emoções em nossa vida, coexistindo com o computador, mas fazendo-o de forma discreta, sem que aparente causar uma perda de espaço”, explica.

^0537EF84DEAD57AE88997E2D43BC607137A1FF97464AD17102^pimgpsh_fullsize_distr

“SUBTLE” quer dizer “sutil”, “delicado”, algo “não imediatamente óbvio” ou “difícil de escrever”. Não por acaso, a palavra é capaz de descrever perfeitamente uma exposição que apresenta o minimalismo japonês e convida o espectador à observação detalhada de cada item, apreendendo o que não fica evidente ao primeiro olhar. São itens sutis, delicados e leves, como o washi – papel japonês considerado um tesouro nacional no Japão, feito artesanalmente com técnicas tradicionais.

170805_blog04

Para Kenya Hara, poucos materiais incorporam uma associação tão forte com a possibilidade de incidentes, como o papel. E, explorar, simultaneamente, a força e a fragilidade da fibra deste material foi um desafio para o designer. “Uma das características favoritas do papel é que ele pode ser usado para fazer formas rudimentares. Ele ocupa uma posição intermediária entre a dureza da pedra e a maciez do tecido, e permite ao artista criar formas tridimensionais com grande liberdade”, complementa.

A essência da cortesia

170805_blog05

“Desenhar em um papel branco com tinta preta é um ato irreversível, mas o ato de dobrá-lo claramente possui sua própria forma de irreversibilidade”, resume Kenya. Para o designer, existe uma oportunidade de dar valor ao gesto ao se aplicar a arte da dobradura. “Ao dobrar um único papel branco plano, cria-se um interior, embrulhando o objeto e oferecendo-o como presente. O papel branco é um símbolo de vida e, ao dobrá-lo de forma elaborada, estamos confiando nossos sentimentos à estrutura. A essência da cortesia é a representação de forma tangível da emoção que surge espontaneamente entre pessoas, e entre seres humanos e a natureza”, explica ele.

Mais além, o ato de dobrar o papel remonta à imagem de entrelaçar pessoas e coisas por meio de uma técnica que evoluiu em diversas direções ao longo dos anos. “Gostamos de pensar que a arte da dobradura é uma amostra da diversidade de estéticas e emoções que se popularizou e se tornou parte das almas das pessoas em algum momento”, complementa Kenya.

170805_blog06

Ao todo, 27 criações resgatam e aprofundam o fascínio pelo papel ao evidenciar sua diversidade de texturas, cores, técnicas e aplicações do material na exposição. Dividida em quatro eixos principais – criação, coleção, papel: um retrato e papéis especiais, a mostra SUBTLE – Sutilezas em papel, em cartaz em São Paulo até setembro, também circulará por Londres e Los Angeles.

Kenya Hara é um apaixonado pela força e pela delicadeza do papel e, ao final da exposição, nos faz lembrar do prazer das coisas simples que um material tão importante é capaz de nos proporcionar em meio a correria do dia a dia: “Até hoje, a carta lacrada ainda desempenha seu papel. Quando, junto com todas as contas, chega uma carta selada trazendo os pensamentos de seu remetente, nós prestamos atenção”, finaliza o designer.

Sobre a Japan House

170805_blog07

A JAPAN HOUSE São Paulo é uma instituição dedicada a mostrar o melhor do Japão do século 21. Inaugurada em maio, foi a primeira a abrir as portas no mundo. Outras duas unidades serão inauguradas posteriormente, em Londres e Los Angeles. Desde sua abertura, o público brasileiro vem sendo convidado a ter uma experiência genuína e única dos modos de viver do Japão contemporâneo. A JAPAN HOUSE São Paulo promove, em seus três andares, exposições, seminários, workshops e atividades que trazem ao Brasil os mais relevantes criadores e empreendedores japoneses da atualidade nas artes, no design, na moda, na gastronomia, na ciência e na tecnologia.

Serviço

^13CB9C6BBB457983E791A89E2316398DF73FD78FDFBC910EA6^pimgpsh_fullsize_distr
Takeo Paper Show “SUBTLE” – sutilezas em papel
De 29 de julho a 10 de setembro
Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52
Horário de funcionamento:
Terça-feira à sábado: das 10h às 22h
Domingos e feriados: das 10h às 18h
Entrada gratuita