Literatura de Cordel: um símbolo da cultura nordestina

Hoje é dia de lembrar
o poeta do sertão,
aquele que conta história
com humor e muita ironia,
fala da vida de quem muitas vezes
no livro do dotô não cabia

 

No dia 01 de agosto comemora-se o dia do poeta da literatura de cordel. Famosa pelos folhetos de poesia popular que informam e divertem os seus leitores, a manifestação literária e cultural é herança dos portugueses e um dos símbolos da nossa cultura.
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Repleta de características bem particulares, que dialogam diretamente com os costumes nordestinos, a literatura de cordel influenciou a obra de escritores como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Guimarães Rosa.

Origens
Arte de informar, divertir e inspirar através de folhetos surgiu na Europa e foi muito importante para popularizar o Romantismo em países como a França, a Espanha e a Itália.

Herança dos portugueses, no Brasil, a literatura de cordel ganhou força no interior do nordeste – principalmente entre os anos 1930 e 1960, e passou a disseminar os elementos culturais brasileiros de uma forma inédita até então.

O nome “cordel” tem origem na antiga tradição de expor os folhetos, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes, para a venda nas feiras das cidades e vilarejos.

Principais características

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A literatura de cordel é uma tradição literária regional que foge à literatura tradicional. Feita em versos, ela se apresentada em forma de folhetos e pequenos livretos com capas de xilogravura, geralmente eles ficam pendurados em barbantes ou cordas.

Xilogravura

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Além dos versos de suas poesias, outra característica da literatura de cordel é a xilogravura. Antiga técnica, de origem chinesa, em que o artesão utiliza um pedaço de madeira para entalhar um desenho, deixando em relevo a parte que pretende fazer a reprodução. Em seguida, utiliza tinta para pintar a parte em relevo do desenho. Na fase final, é utilizado um tipo de prensa para exercer pressão e revelar a imagem no papel, como em um carimbo.

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel
Fundada em 7 de setembro de 1988, a Academia Brasileira de Cordel faz um trabalho de resgate da memória e do trabalho dos cordelistas. Em quase 30 anos, os cordéis passaram a integrar o currículo da faculdade de letras da Universidade de Coimbra – fazendo assim o “caminho de volta” do estilo originado em Portugal.

Hoje, conta com 40 membros efetivos e conta com de mais de 13 mil títulos em seu acervo.

Aqui no Adoro Papel, já te apresentamos alguns cordelistas. Clique aqui e encante-se uma vez mais com a história dos nossos mestres da literatura de cordel.