Professor faz revolução com papelão e canetinha

Há mais de 50 anos, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) criou o Dia Mundial da Alfabetização – celebrado em 8 de setembro, para celebrar a alfabetização e a educação como uma forma de empoderamento para mulheres e homens, e para a sociedade como um todo.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, a taxa de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever caiu pelo quarto ano consecutivo. Mesmo assim, o analfabetismo continua a ser sinônimo de exclusão e pobreza para mais de 12 milhões de pessoas dessa faixa etária. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o índice também preocupa e salta para uma média de um a cada cinco idosos brasileiros não sabem ler nem escrever.

Diante dessa realidade, o professor Luiz Felipe Lins revolucionou suas aulas usando itens básicos do dia a dia de todo mundo para ensinar matemática.

Papelão e canetinha em mãos

Com caixas de papelão, papel e canetinha ele transformou a Escola Municipal Francis Hime, na periferia do Rio de Janeiro, em uma das instituições públicas mais premiadas do Brasil nas olimpíadas de matemática. O segredo? Fazer o que considera mais elementar: transformar os conteúdos vistos em sala de aula em algo que faça sentido na vida das crianças e dos adolescentes.

Luis Felipe Lins utiliza os materiais para criar jogos, como memória e dominó para ensinar matemática a alunos a partir do 6º ano do Ensino Fundamental. Dentro da nova lógica de ensino, os alunos ainda precisam decifrar enigmas propostos, escrever um texto sobre como se chegou ao resultado e registrar todo o processo em vídeo para compartilhar com os colegas. O objetivo, segundo o professor, é desenvolver habilidades que estão além da matemática, como expressão escrita e verbal e trabalho em equipe.

A versatilidade das caixas de papel também é explorada em forma de maquete para representar a área da casa que planejam construir. Os estudantes fazem os cálculos do material para a obra e vão até o comércio pegar orçamento de quanto dinheiro precisam para concluir a construção. A obra fica apenas na teoria, mas os adolescentes aprendem na prática conceitos de área, perímetro, razão e proporção.

10 anos, quase 200 medalhas e um alicerce para o futuro

A proposta que utiliza itens básicos do dia a dia das crianças e prioriza o ensino por meio da resolução de problemas, rendeu resultados importantes para o professor nos últimos dez anos. Segundo o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a Escola Municipal Francis Hime conquistou 197 medalhas em competições de matemática nesse período.

Mas isso é só o começo, Luiz Felipe sonha ainda mais alto: “Quero construir o alicerce para o futuro das crianças. Mais do que o aprendizado de uma disciplina, isso representa a formação de um cidadão preparado para o futuro, que sabe otimizar o tempo, que consegue raciocinar, que se expressa bem”, diz.

Fonte: Gazeta do povo