Desenhar estimula a atividade do cérebro e a criatividade

Rabiscar, colorir e praticar o desenho livre no papel podem estimular a criatividade e ajudar na identificação de doenças

Você tem o hábito de desenhar no dia a dia? Já se pegou rabiscando o papel enquanto estava distraído ou no telefone? O hábito corriqueiro pode te ajudar a ter ideias, abrir a mente e fazer novas conexões. Como? Um novo estudo realizado pela Universidade de Drexel e divulgado na Fast Company mostra que o processo de criação artística (mesmo o mais simples) no papel estimula a área do cérebro ligada ao chamado sistema de recompensa — a mesma área que faz com que dançar, rir e comer chocolate, por exemplo, sejam tão bom.

Para testar o impacto da realização de atividades artísticas no cérebro, Girija Kaimal, professora do College of Nursing and Health Professions da Universidade de Drexel, localizada na Filadélfia (EUA), usou scanners de ultrassom para observar como o fluxo sanguíneo no cérebro se altera quando as pessoas fazem rabiscos ou simples desenhos no papel. Ao todo, 26 pessoas realizaram o teste nas seguintes situações:

  • quando a pessoa coloria algum desenho em formato geométrico;
  • rabiscava um papel formando um círculo e desenhasse o que lhe viesse à mente.

Os pesquisadores deste estudo, ressaltam que há diferenças em cada tipo de “arte”. Rabiscar um papel aumenta o fluxo de forma mais intensa, enquanto colorir de forma menos intensa.

O benefício dessas artes específicas não ficam restritos a um maior fluxo sanguíneo oxigenado para o sistema de recompensa cerebral. Os pesquisadores apontam que os participantes se sentiram mais criativos momentos antes e logo depois de realizar as atividades artísticas. Eles acreditavam que estavam tendo ideias melhores e poderiam resolver problemas de forma mais prática.

“Rabiscar é algo que todo mundo já fez alguma vez na vida, uma habilidade que todo mundo é capaz de ter e desenvolver. Deve, sim, ser vista como uma atividade prazerosa, sem julgamentos”, diz Kaimal à publicação científica da Universidade de Drexel.

Desenho pode ajudar a detectar Parkinson

De acordo com outro estudo recente, publicado na revista científica “Frontiers of Neurology”, a habilidade de desenhar também pode servir como diagnóstico na identificação da doença de Parkinson.

Através de uma espiral desenhada pelo paciente em uma folha de papel sob um tablet programado com um novo software, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália, os pesquisadores podem medir os sintomas e avaliar a gravidade da doença com até 93% de precisão.

No estudo, os cientistas testaram a nova tecnologia em 55 pessoas, sendo 27 delas diagnosticadas com Parkinson. Hoje, a doença é descoberta quando o paciente já apresenta sintomas avançados e visíveis, como os tremores e a fraqueza muscular. Nessa fase, a produção celular do cérebro e as funções cognitivas dos pacientes já estão bem comprometidas.

O novo sistema, segundo informações da rede BBC, é mais preciso do que os testes atuais, que não são capazes de medir o avanço do Parkinson com tanta exatidão, pois combina a velocidade e a força do deslize da caneta no papel em medidas específicas.