A história dos Orixás é retratada em projeto de quadrinhos

‘Conto dos Orixás’ desenha divindades como heróis e quer aumentar a representatividade das narrativas afro.

“Em um tempo antigo, deuses e heróis caminharam entre os homens. Travaram batalhas com furor, ensinaram a curar e lidar com a terra, o ferro e o fogo, reinaram e amaram com a mesma intensidade.”

Contos dos Orixás 

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As religiões de matriz africana carregam uma tradição cheia de boas histórias e muita riqueza cultural. Porém, nem sempre essas manifestações recebem seu devido valor. Por isso, o Adoro Papel convida você a entrar mais no universo cultural da África.


Orixás heróis

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Arte “The Orixas”, feita em 2016 e inspirada na capa clássica da revista “Avengers 4, 1966”.

Agora um time campeão e poderoso vem conquistar o mundo dos quadrinhos: chegou a vez dos Orixás ganharem mais força nas HQs e virarem super heróis, se unindo para viver muitas aventuras e desafios. O responsável pelos traços e histórias do “Contos dos Orixás” é o quadrinista Hugo Canuto (32 anos), nascido em Salvador, que com seu trabalho quer vencer preconceitos e mostrar toda a riqueza dos orixás africanos, que são também parte inseparável da cultura brasileira.

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O projeto nasceu em 2016 como várias revistas e posterês, um trabalho  que com o tempo foi crescendo, recebendo reconhecimento e agora ganha uma versão com 120 páginas. O leitor vai encontrar histórias que relatam os mitos do povo Yorubá, uma das civilizações mais tradicionais da África Ocidental (hoje onde seria a Nigéria, parte do Benin e do Togo),apresentados no estilo de quadrinhos, protagonizada pelo Rei Xangô e envolvendo outros orixás como Exu, Ogum, Oxóssi, Oxum e Iansã.

Uma trama que fala da convivência entre deus e heróis, suas batalhas e como eles ensinaram a curar e lidar com os elementos da natureza. São aventuras muito épicas!

Representatividade

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O ‘Conto dos Orixás’ é parte de um projeto que busca adaptar mitos e lendas sobre divindades da África Ocidental através de histórias em quadrinhos e para isso utiliza uma linguagem artística digna dos quadrinhos da Marvel. Uma forma encontrada por Hugo para combater a falta de representatividade da cultura afro-brasileira no dia a dia, mas sem esquecer de respeitar as tradições.  Um trabalho cultural muito importante, quem concorda?

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O trabalhou chamou atenção de muita gente e através do apoio de financiamento coletivo e conseguiu arrecadar 547% da meta original, que era de 20 mil reais. UAU 😱👏🙌

Graças ao grande apoio recebido, o artista irá destinar parte dos recursos para projetos sociais de Salvador, sua cidade Natal e doar 100 exemplares para espaços culturais.

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Em entrevista ao jornal El País, Hugo comenta que sempre buscou tratar o tema com respeito e responsabilidade. Mesmo que a obra não tenha fins religiosos, o artista fez questão de ser o mais autêntico possível e foi beber em diversas fontes para conhecer mais sobre orixás, aprendendo em terreiros e fazendo cursos. Artistas estudam muito!

Hoje o trabalho é referência em salas de aula e livros didáticos, além de ser citado em teses acadêmicas e também ter participado de exposições na Inglaterra e Estados Unidos.

Que bonito o trabalho do Hugo, não é? Usar a arte para informar e quebrar preconceitos é fundamental. Ficou interessado em ler o quadrinho? O lançamento oficial aconteceu na última CCXP (Comic Con Experience) em São Paulo, mas ainda é possível participar da campanha de pré-venda no Cartase.