Moradores de favela de Manguinhos viram Poesia de Cordel

“Por isso eu sempre digo
Tem que olhar pras favelas
Pois há muita arte e vida
 Escondida dentro delas
Gente nobre, de valor
Nos seus becos e vielas”.

A Literatura de Cordel sempre nos enche de orgulho. Por isso, nós, do Adoro Papel, ficamos muito felizes quando divulgamos iniciativas inspiradoras relacionadas com essa arte.

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No mês em que se comemora o Dia Internacional da Poesia queremos exaltar um belo trabalho com poesia de Cordel, que retrata os moradores do complexo de favelas de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

O projeto, chamado ‘Memória de Manguinhos em Cordel’, criado pelo coletivo Experimentalismo Brabo, busca valorizar as histórias locais, contadas em versos, e registradas em folhetos de cordel. Liderada pelo poeta Leo Salo, a iniciativa conta com o apoio da Awesome Foundation e do Museu da Vida.

“Manguinhos das enchentes que me
tirava da cama pra dormir em outro lugar.
Luz fraca, água carregada,
nada disso importava,
porque em Manguinhos viemos morar”.

A poesia foi declamada pela moradora e reconhecida escritora Celeste Estrela, em poema sobre as primeiras ocupações da favela.

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Poesia, cordel, favela e memória.

Entre os personagens retratados em ‘Histórias de Manguinhos’ se encontra a poeta, atriz, escritora e compositora Celeste Estrela, quem teve seu folheto publicado em janeiro deste ano; Tia Lauzinha, dona do boteco mais querido e aclamado de Manguinhos, e também, Iguinho Imperador, um dançarino de 26 anos, que coloca o ritmo na área, e leva a cultura do passinho para fora do Brasil.

“Na expectativa de reverter o imaginário negativo da favela e valorizar histórias locais, surgiu o projeto literário”. Comentou o portal Brasil de Fato.

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“Tira-gosto e almoço
A comida é bem servida
Um bom papo, uma risada
Coisas boas dessa vida
No boteco chefiado
Por pessoa tão querida”.
Folheto da Tia Lauzinha.

O projeto busca que os moradores de Manguinhos possam ter um registro de sua cultura e história de vida, divulgados e valorizados dentro ou fora da favela.

Pro velho, pra senhorinha Pra mocinha e pro rapaz
Pros adultos da favela
E pras crianças: peço paz
Só quem vive longe dela
Sabe a falta que esta faz”
Cordel elaborado por crianças do Complexo de Favelas de Manguinhos

Segundo o Diário do Rio, “As memórias de remoções, enchentes e violência estão sempre presentes nas narrativas locais. No entanto, estes folhetos de cordel trazem narrativas de força, resistência, trabalho, arte e cultura”.

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Os folhetos são distribuídos gratuitamente em escolas e outros espaços do bairro.

Viva a poesia, viva o Cordel!

Aqui você pode conhecer mais sobre o projeto: Memória de Manguinhos em Cordel

 

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