Sorveteria da Leitura: escola usa método criativo para incentivar crianças a lerem

Picolés e sorvetes feitos de papel são usados para despertar o interesse dos alunos em leitura

O primeiro passo para que crianças possam aprender a ler é que percebam a leitura como algo prazeroso, tão divertido como qualquer brincadeira. Por isso, muitas vezes o uso da criatividade ajuda muito a despertar a paixão por ler nos pequenos. Foi exatamente isso que professores da Escola Cônego Batista Campos, de Ananindeua, no Pará, fizeram. Ao perceberem que a escola tinha uma grande evasão e que muitos alunos chegavam ao 5º ano sem saber ler e escrever, criaram projetos de leituras para estimular as crianças a desenvolver esse gosto pelas letras.  

Foi assim que nasceu o projeto “Sorveteria da Leitura”. Voltado para a alfabetização, consiste em criar sorvetes e picolés de papel. Cada sorvete retirado do carrinho do sorveteiro possui uma palavra. Assim, o aluno que tirar a palavra tem que ler e depois separar em sílabas. Unindo recursos visuais, brincadeiras e papel, o objetivo do projeto é fazer com que a criança aprenda brincando. O “Sorveteria da Leitura” também é multidisciplinar. Com a matemática, as crianças aprendem sobre preço e quantidade do sorvete. Já com a geografia, é ensinado a origem das frutas, sua história e também como surgiu o sorvete.

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Outro projeto da escola que também utiliza sorvetes de papel é o “Nem te conto, é muito firme ler”. Voltado para a alfabetização e letramento, trabalha com a literatura paraense. Dessa forma, incentiva os alunos a conhecerem os autores locais e também as lendas amazônicas. Para isso, o projeto se desenvolve em duas partes: o picolé da leitura, em que o aluno sai na sala “vendendo picolé” e chamando para a leitura. O outro é o rolinho da leitura. Nele, são usados dois rolinhos de papel higiênico. Cada um traz sílabas que, quando colocados juntos, formam novas palavras.

foto2Fotos: Agência Pará

O projeto hoje já virou referência na alfabetização para outras escolas do estado. A própria Escola Cônego Batista Campo viu saltar o número de matrículas de 150 para 202, e hoje possui até lista de espera. Resultados importantíssimos visto que estudos indicam que os maiores desafios de alfabetização e leitura são nos anos iniciais, segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) do Pará. Que mais sorvetes gostosos assim apareçam em todos os estados do Brasil.