Curto Papel

Conheça Pedro Popoff, um menino de 14 anos que construiu uma cordelteca no interior de São Paulo

Também chamado “Pedro do Cordel”, o jovem realiza ações para promover a cultura nordestina

“Sou apaixonado por cordel e por toda a cultura nordestina. Tive meu primeiro contato com a arte feita nessa região do país quando tinha 5 anos de idade. Ocorreu de forma espontânea, pois estava no computador, acessando a internet, quando encontrei por acaso um filme sobre o cangaço. Foi “Lampião – Rei do Cangaço”, de Carlos Coimbra. Por pura curiosidade, assisti ao filme e fiquei maravilhado. Isso despertou meu interesse por essa cultura tão rica. A partir daí, comecei a pesquisar mais e uma coisa levou a outra. Hoje, com 14 anos, procuro divulgar a literatura de cordel ao máximo.

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A arte do cordel

O que mais me chamou atenção no cordel e que fez despertar minha paixão por esse tipo de literatura são as histórias contadas, que passam pelos mais diversos temas. Hoje, tenho tanto orgulho em atuar em favor dessa literatura tão nossa que a adotei como um apelido. Muitos me conhecem como “Pedro do Cordel”. A ideia de fazer eventos e ações para incentivo da literatura do cordel e cultura nordestina surgiu quando uma escola, que não era a que eu estudava na época, me chamou para realizar um bate-papo com os alunos sobre o tema.

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A cordelteca 

A partir daí, outras escolas passaram a me chamar para mais eventos e encontros. Por fim, nomeei esse projeto de ‘Brincando de Cordel’. Só que eu ainda queria mais. Há cerca de dois anos, eu já pedia para minha mãe uma sala que estava fechada na loja que ela possui na cidade Bauru, interior de São Paulo, onde moramos. Queria usar o espaço para realizar minhas ações e eventos e ela acabou concordando, mas foi além! Entregou-me também seu escritório e começamos a procurar patrocínio. Resolvemos, então, iniciar uma campanha de crowdfunding (campanha online para arrecadação de valores junto ao público para um determinado projeto), onde conseguimos uma parte da verba. Sempre tivemos que correr atrás para fazer acontecer. Assim, fundamos a cordelteca Gonçalo Ferreira sem apoio de políticas públicas. Hoje, contamos com mais de 2.000 títulos em cordel, dos mais diversos temas”

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Contra o preconceito

Espero conseguir mostrar para as pessoas um pouco mais dessa nossa cultura e não deixá-la morrer, pois é extremamente rica e bela. Considero um dos maiores desafios em manter viva essa tradição do cordel e da cultura nordestina a quebra de barreiras do preconceito, que ainda é algo muito forte, infelizmente. Porém, cada vez mais as pessoas estão percebendo a riqueza do cordel e de toda cultura do nordeste, o que me deixa bem satisfeito. Tenho muita satisfação, em meio a tantas outras crianças, ter recebido número de registro da Organização Internacional de Folclore, a IOV (International Organization of Folk Art). É uma das únicas organizações que tem como objetivo preservar e fomentar a cultura, o folclore e as artes populares. Por meio do presidente da filial brasileira, Clerton Vieira, me conceberam a presidência da Comissão Infantojuvenil da IOV no Brasil, o que foi uma surpresa. Acredito que fomentar a participação de mais crianças na formação de nossa cultura é algo que não posso deixar de fazer.

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Cordel é de todos

Por conta da minha paixão pelo cordel e pela cultura nordestina, pude conhecer muita gente especial. Dentre tantos, um momento que me marcou muito foi conhecer e cantar com Alceu Valença, além de participar da peça ‘O Massacre De Angico’, na cidade de Serra Talhada, Pernambuco. Tudo isso só foi possível porque tive comigo que precisava divulgar essa literatura tão nossa para o máximo de pessoas possíveis. Quem tiver interesse em ler, é só começar. Inicie pelos cordéis com os temas que você mais gosta e parta daí. Digo isso porque o cordel abrange qualquer assunto, é realmente surpreendente. Tente produzir um. Basta papel, lápis e ficar atento na métrica (conjunto feito pela medida, ritmo e organização da estrofe), mas principalmente, continue valorizando nossa cultura. Sem ela nós não temos identidade!”

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Fotos: Divulgação / acervo pessoal