8 curiosidades sobre Machado de Assis

Um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos também possui uma rica história

O mistério envolvendo Bentinho, Capitu e Escobar no celebrado livro Dom Casmurro ainda é motivo de debates mesmo mais de 120 anos após sua publicação. Esse é apenas um dos motivos que fez Machado de Assis ser considerado por muitos estudiosos como o maior nome da literatura brasileira em todos os tempos. Mas acredito, sua vida foi tão interessante quanto suas histórias. Por isso, separamos oito curiosidades sobre o autor para você se encantar ainda mais com sua vida e obra.

O bruxo

Um dos apelidos de Machado de Assis era “Bruxo do Cosme Velho”. A alcunha foi dada por vizinhos depois de ele supostamente ter queimado cartas em um caldeirão dentro de sua residência, que ficava justamente na Rua Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A fama aumentou ainda mais depois que o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu a poesia “A um bruxo, com amor”, dedicado ao escritor.

Fundador da ABL

O autor foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), no ano de 1897. Junto dele estavam nomes como Olavo Bilac, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa. Sua cadeira era a de número 23, hoje pertencente a Antônio Torres, mas que também já foi de Jorge Amado e Zélia Gattai, entre outros. Além disso, ele chegou a ser presidente da academia. 

Folie à deux

Anos antes de ser diagnosticada pela medicina, Machado de Assis já havia descrito a doença conhecida como folie à deux, que pode ser traduzida do francês como “delírio a dois”, em seu livro Anjo Rafael. Mais do que isso: ele também descreveu a cura para a doença. No livro, ele apresenta a separação física dos dois personagens que estavam tendo a doença como forma de curá-la e esse tratamento é usado até hoje por médicos. Incrível, não?!

Fenômeno do xadrez

Em 1880 ocorreu o primeiro campeonato de xadrez do Brasil. Machado de Assis não só disputou como acabou ficando em terceiro lugar. O torneio foi organizado na casa do pianista português Arthur Napoleão e as peças estão expostas até hoje na Academia Brasileira de Letras. 

O tradutor

Machado de Assis falava francês, inglês e latim fluentemente. O francês, dizem, ele aprendeu com um padeiro imigrante; já o latim teria sido ensinado a ele por um padre. Sendo assim, além de escrever, ele também traduzia muitos livros. São traduções dele versões em português de clássicos como Trabalhadores do mar, de Victor Hugo; e O corvo, de Edgar Allan Poe.

Família de escravos

O autor nasceu em uma chácara no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, casa onde seu avô foi escravo e que pertencia ao militar Bento Barroso Pereira, que ocupou o cargo de Ministro da Guerra de 1824 a 1828. Além de ter sido batizado pela esposa do militar, Maria José de Mendonça Barroso, foi lá que Machado aprendeu a ler.

Ótimo nas letras, péssimo na caligrafia

Apesar de dominar a língua portuguesa como poucos, Machado de Assis tinha uma letra horrível, descrita como garrancho. Tanto que ele mesmo muitas vezes tinha dificuldade em entender as próprias anotações.

Preconceito

Machado de Assis precisou enfrentar diversas dificuldades para obter reconhecimento. Além de ser epilético, ele tinha sinais de gagueira. Também era negro, tendo sido alvo de muito preconceito. Tudo isso fez com que se tornasse inseguro e preferisse manter uma vida reclusa. Nada disso, porém, foi suficiente para minar seu talento, hoje reconhecido no Brasil e no mundo. 

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