5 clássicos da literatura em mangá

Separamos alguns dos principais títulos editados no formato de quadrinhos japonês

O que define um clássico da literatura? Entre outros atributos, está o fato de ser atemporal. Ou seja, a qualidade de poder dialogar com as mais diversas gerações e continuar relevante mesmo depois de muitos anos. Para demonstrar isso, um bom exemplo é tentar pegar um livro e transportá-lo para outro formato, de preferência um que seja mais reconhecido por leitores mais novos. Assim surgiu a ideia de transformar grandes clássicos literários em quadrinhos mangá. O formato, tipicamente japonês, possui traços e formato bem específicos para contar uma história. Adoro Papel separou cinco grandes títulos que tiveram sua versão mangá impressas no Brasil para você conhecer. 

Os irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévsk)

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O escritor russo é considerado um dos maiores da história e por isso mesmo não poderia faltar em nossa lista. Sua obra-prima derradeira, Os irmãos Karamázov, de 1880, conta a história de Fiódor Karamázov e de seus filhos Aliócha, o mais novo, que vive num mosteiro; Ivan, o intelectual; e Dimítri, o militar. O livro mostra uma família disfuncional e atormentada, onde são expressas algumas das maiores angústias da alma humana e da relação entre pais e filhos. Tanto que o médico e psiquiatra Sigmund Freud o considerava um dos maiores romances já escritos, opinião compartilhada por autores como Franz Kafka e pelo filósofo Friedrich Nietzsche. 

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Assim Falou Zaratustra (Friedrich Nietzsche)

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Por falar em Nietzsche, o alemão também teve um de suas maiores obras transformada em mangá. Aqui, o filósofo narra a história do incompreendido profeta Zaratustra. Em suas andanças e pregações, ele anuncia que o tempo das divindades acabou. A história trata de alguns conceitos fundamentais elaborados pelo pensador germânico, como o ideal de “super-homem” e a máxima do “eterno retorno”. Considerado complexo, o formato em quadrinhos ajuda a entender melhor alguns desses conceitos.

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Helena (Machado de Assis)

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A literatura brasileira não poderia ficar de fora, não é? E ninguém melhor que Machado de Assis para ser experimentado em um formato tão dinâmico e de tirar o fôlego como mangá. A obra escolhida para isso foi Helena, publicada originalmente em 1876. A história narra a vida da personagem título, que esconde uma paixão perdida. Vemos Helena realizar passeios misteriosos a um casebre enquanto perguntamos quem é seu amado e por que ela não luta por ele. O desafio do mangá foi transpor o estilo do escritor carioca ao modelo dos quadrinhos, que deu um ar totalmente charmoso à obra. 

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Ulisses (James Joyce)

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“Espera-se que o chefe consuma as partes mais honrosas. Devem ser duras devido ao exercício. As mulheres dele em fila para observar o efeito. Havia um velho negro real. Que comeu ou coisou as coisas do reverendo Sr. MacTrigger”. Esse trecho de Ulisses é apenas um exemplo do porquê esse clássico do irlandês James Joyce é considerado, ao mesmo tempo, um dos maiores títulos de todos os tempos e um dos mais difíceis também. Narrando as aventuras de Leopold Bloom e seu amigo Stephen Dedalus ao longo do dia 16 de junho de 1904, é o típico livro “ame ou odeie”. Quem não gosta tem mais uma chance de conhecer seus méritos na versão mangá. 

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O Contrato Social (Jean-Jaques Rousseau)

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O suíço Jean-Jacques Rousseau foi um Gênio de seu tempo. Filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata, ele deixou sua marca em obras eternas, como em seu livro O Contrato Social. Um verdadeiro tratado não apenas sobre um modelo de organização social, mas uma nova visão de mundo. Foi nesse clássico que o autor ousou perguntar qual seria o sistema de governo mais legítimo e socialmente mais justo. O livro, de 1762, acabou sendo um dos estopins para as revoltas liberais que sacudiram todo o continente europeu. Sua versão mangá traz os mesmos questionamentos, mas de forma ilustrada e dinâmica.

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