Curto Papel

Conheça Angélica Kalil e Mariamma Fonseca, autoras de um livro especial para mulheres

A escritora Angélica se uniu à ilustradora Mariamma para contarem juntas histórias sobre a força feminina

Esse é um Curto Papel especial. No lugar de um depoimento, entrevistamos duas mulheres incríveis que se juntaram para criar o livro “Amigas que se encontraram na história”: a escritora, roteirista e jornalista Angélica Kalil e a ilustradora Mariamma Fonseca. Conheça mais a história delas e do livro. 

Angélica Kalil

Angélica

Hoje você atua como jornalista, roteirista e escritora. Como despertou esse interesse pela leitura e por escrever?

Angélica Kalil: Eu sempre gostei de histórias, desde criança. Tanto em livros, quanto no teatro, televisão e cinema. Eu organizava apresentações no prédio, brincava muito de faz de conta e escrevia jornaizinhos…olhando para trás, hoje eu vejo que as narrativas sempre me interessaram muito, de qualquer ordem, ficcionais ou reais.

Como surgiu a ideia do livro “Amigas que se encontraram na história” e como foi o processo de criação?

Angélica: Há algum tempo, as histórias das mulheres me interessam mais do que qualquer outro tema. Por isso, leio e assisto tudo que me aparece sobre esse assunto. E nestas pesquisas, me chamava a atenção a força e o suporte da amizade entre as mulheres. Conversando com a Amma, surgiu a ideia de transformarmos essas narrativas sempre colocadas de forma paralela, em trama principal. E contar isso para um público jovem.

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De que forma o livro pode ajudar em um tema tão importante atualmente como o feminismo? Quais os principais motivos que a fizeram querer atuar dessa forma?

Angélica: O livro mostra que a amizade entre mulheres é muito potente. A cultura patriarcal cria as mulheres para serem rivais e é importante entendermos que somos aliadas. Precisamos ressignificar o nosso lugar de gênero, seja qual for a nossa identidade. Essa é uma pauta muito importante dentro do feminismo, apoiar outras mulheres. Eu acredito que o feminismo é uma das grandes questões do nosso tempo.

Como chegou até a Amma? Como foi trabalharem juntas nesse projeto?

Angélica: Quando eu estava organizando meu canal de entrevistas feministas no youtube (Você é feminista e não sabe), em 2015, eu queria fazer uma logomarca do canal com uma ilustradora mulher. Meu cunhado, que é ilustrador, me falou do Lady’s Comics, um blog de mulheres nos quadrinhos idealizado pela Amma. Entrei em contato com ela, ficamos amigas e nunca mais paramos de pensar em projetos juntas.Captura de Tela 2020-09-25 às 19.14.26

Vocês publicaram no perfil do Instagram a quantidade de papel que usaram e os livros para pesquisa na criação de “Amigas que se encontraram na história”. Qual a importância do papel na sua vida?

Angélica: Nunca tinha pensado nisso! Mas o papel é fundamental na minha vida, esteve comigo quando eu aprendi a ler e escrever, algo que faz parte da minha identidade. Achei emocionante pensar nisso agora. E até mesmo inspirador, quem sabe não coloco essa ideia em um próximo projeto?

Qual recado deixa para quem também deseja escrever?

Não tenha vergonha de ser e mostrar quem você é.

Mariamma Fonseca

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Você sempre gostou de desenhar? Como aprendeu?

Mariamma Fonseca: Eu sou de uma cidade do extremo sul da Bahia, chamada Eunápolis. Vim para Belo Horizonte estudar e por aqui me firmei. Me formei em Jornalismo, estudei Artes Visuais e atualmente estudo Design Gráfico. Sou mãe da Iara e trabalho como ilustradora freelancer. Comecei ilustrando poemas e atualmente faço trabalhos diversos, desde ilustrações para marcas, passando pela publicidade até chegar aos livros. Sempre amei desenhar. Desenhava as paredes da minha casa, sempre fazia os desenhos nos trabalhos da escola, na faculdade fazia os desenhos para o jornal acadêmico e por aí vai….a verdade é que nunca parei. O que sei hoje foi um acúmulo das práticas. Acho que todos desenham. Só que uns continuam a praticar mais, e outros não.

Como funciona seu processo criativo inicial? Quais os passos que realiza na hora de criar um desenho ou ilustração?

Mariamma: Tudo começa com a pesquisa. Vou procurar entender e me aprofundar no assunto que vou desenhar. E depois é papel e lápis. Muitos rabiscos até chegar num resultado que eu ache interessante. Depois eu escolho a técnica que vou usar e parto para finalização.

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O que a motivou para criar com a Angélica o livro “Amigas que se encontraram na história”? Como foi esse trabalho juntas e o que o livro significa para você?

Mariamma: A nossa própria amizade. Ela me convidou para fazer o livro e como essa parceria já tinha dado certo antes (fizemos juntas anteriormente o livro “Você é feminista e não sabe”) eu aceitei na hora. Trabalhar com ela é uma delícia! Eu nem considero trabalho. Ela sempre traz coisas novas, trocamos muitas ideias, e com carinho e afeto construímos histórias que gostaríamos de ler/ver.

De que forma o livro pode ajudar em um tema tão importante atualmente como o feminismo?

Mariamma: Como o público-alvo são as meninas e meninos jovens, ele pode enriquecer a reflexão sobre gênero e trazer para espaços de conversa, como escolas, um tema atual e que está sendo amplamente abordado. É fomentar essa discussão e apresentar histórias que muita gente desconhece.

Quem desenha geralmente tem paixão por papel. O que o papel significa para você?

Mariamma: Nossa. Eu sou a doida do papel. Tenho todas as cartinhas de infância e adolescência guardadas. Fui colecionadora do famoso papel de carta. Amo caderno e agenda e o papel está fortemente ligado ao meu trabalho. Tudo começa nele. Afazeres, lista de compras, desejos, ideias, desenhos….tudo. Mesmo que eu tenha de fazer algo no digital, sempre uso o papel antes. Fazia muita colagem, então papéis que tenham cores, espessuras, texturas, formatos e desenhos que me chamem atenção, eu guardo. E guardo mesmo (risos), tenho algumas pastas e até caixas com alguns deles.

Qual recado deixa para quem também deseja desenhar?

Mariamma: Desenhe. Pratique sempre que der. Não se cobre e faça com carinho!