O poder do papel: cartunista que teve derrame criou desenhos para ajudar sua recuperação

Bill Tidy é um dos mais famosos desenhistas britânicos e utilizou sua arte para melhorar a saúde

Saber desenhar pode ser um talento, mas é também um exercício. Tanto que pode ser usado, literalmente, para ajudar na recuperação de um problema de saúde. Foi exatamente isso que o cartunista inglês Bill Tidy fez. Um dos desenhistas mais amados da Grã-Bretanha, Tidy precisou ser levado às pressas para o hospital após um derrame. As sequelas foram grandes, mas suas enfermeiras e sua família sabiam exatamente o que era necessário para levantar seu ânimo e impulsionar sua recuperação. Tudo que precisava era um papel, uma caneta e sua paixão por desenhar. Sendo assim, poucos dias após o derrame que o deixou mal capaz de falar, ele recebeu o material para poder fazer o que mais gosta. 

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Logo, Tidy estava em ação, fazendo desenhos das enfermeiras, bem como recriando alguns de seus cartoons mais famosos. Conhecido principalmente por suas histórias em quadrinhos, o artista já recebeu diversos prêmios por seu trabalho, que incluem publicações nos jornais ingleses Daily Sketch e Daily Mirror. No hospital, enfermeiras reuniram-se em torno de sua cama enquanto o cartunista, de 86 anos, esboçava novas versões de suas criações mais conhecidas. Para ele, desenhar sempre foi vital para o seu bem-estar. Agora, porém, provava ser também algo imprescindível em sua recuperação. 

Isso, entranto, é algo que o artista já sabia muito antes do derrame. Tanto que chegou a declarar que desenhar, para ele, era como respirar. Por isso, estava totalmente convencido de que voltar a realizar o que ama faria toda a diferença após sofrer o AVC. E, se alguém pensa que sua produção diminuiu, se engana. Tidy desenha tanto quanto antes e chegou a declarar que tinha certeza de que, caso não tivesse pegado na caneta e papel novamente, não teria feito tanto progresso na questão de sua saúde. Para ele, desenhar era também uma maneira maravilhosa de se comunicar, especialmente nos primeiros dias, quando não podia falar direito.

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O caso de Tidy não é uma exceção. A Stroke Association, instituição britânica que atua para prevenir o AVC, afirma que retornar a qualquer atividade de lazer pode ser recompensador de várias maneiras, como restaurar a confiança e diminuir a ansiedade. Essas atividades também forçam efetivamente o cérebro para “rememorar” a maneira como funcionavam certas habilidades, o que acelera a recuperação. Agora morando com seu filho, que se mudou para ajudar a cuidar do pai, Tidy ainda luta para andar e sente uma fraqueza no braço direito. Mesmo assim, consegue esboçar um desenho em questão de segundos. E não possui qualquer intenção de parar. 

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Fotos: Damien McFadden / Daily Mail