Mês da literatura brasileira: 5 clássicos nacionais pouco comentados

Mês da literatura brasileira: 5 clássicos nacionais pouco comentados

Conheça alguns clássicos produzidos no Brasil e que não costumam receber tanta atenção

Discussões sobre Bentinho, Capitu e Escobar são tão frequentes quanto sobre Pedro Bala e Dora. De fato, Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Capitães de Areia, de Jorge Amado, estão entre os mais celebrados romances já produzidos no país. Não sem razão, pois são clássicos inquestionáveis feitos por dois dos maiores autores brasileiros em todos os tempos. Dentro dessa lista, podemos incluir também Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Euclides da Cunha e tantos outros. 

Porém, dentre incontáveis clássicos que a nossa literatura produziu, também existem os que podemos classificar como “injustiçados”. Apesar de terem seu lugar na história, não são tão comentados quanto outras obras e autores. Por isso, para comemorar o mês da literatura brasileira, separamos cinco títulos e autores que merecem mais atenção dos leitores. A satisfação é garantida. 

 

1 – Os ratos (Dyonélio Machado)

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Publicado pela primeira vez em 1935, Os Ratos é um dos mais importantes títulos da segunda geração do modernismo no Brasil e a principal obra do autor Dyonélio Machado. O livro conta a história do funcionário público Naziazeno e toda sua jornada em busca de dinheiro para pagar uma dívida com o leiteiro. Amigos e colegas de trabalho se juntam a ele nessa busca, que mistura humor, tensão e drama. A obra recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras e revela muito dos regionalismos e lugares da Porto Alegre da época. 

 

2 – A carne (Júlio Ribeiro)

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Júlio Ribeiro, patrono da cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras, é um dos maiores representantes do movimento literário Naturalista no Brasil, tendo em A Carne sua maior obra. Publicado em 1888, o título provocou controvérsias por abordar temas até então pouco ou nada explorados pela literatura nacional, como liberdades femininas e conceitos de evolução disseminados principalmente por Charles Darwin. Duramente criticado logo após seu lançamento, o livro narra a história da jovem Lenita e seu romance com Manuel Barbosa, homem mais velho e separado da esposa. 

 

3 – Parque industrial (Patrícia Galvão)

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Patrícia Galvão, também conhecida como Pagu, foi uma artista quase completa. Fez trabalhos como poeta, diretora, tradutora, desenhista, cartunista e jornalista. Porém, foi com seus romances que chamou a atenção da crítica e público, especialmente com Parque Industrial, 

escrito em 1932, quando a autora tinha apenas vinte e um anos. Publicado com o pseudônimo de Mara Lobo, é considerado um dos marcos da literatura proletária nacional, como a própria Pagu definia. Um importante atestado do ambiente cultural e político do Brasil no começo do século XX. 

 

4 – Úrsula (Maria Firmina dos Reis)

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Considerada a obra inaugural da literatura afro-brasileira, Úrsula também é um dos primeiros romances de autoria feminina escritos no Brasil, publicado em 1859. O livro apresenta uma narrativa ultrarromântica para falar das mazelas sociais decorrentes da escravidão, tema que ganha ainda mais poder pelo fato de Maria Firmina dos Reis ter presenciado pessoalmente muitas das questões apresentadas no romance. Úrsula dá voz a personagens escravizados e faz uma crítica feroz da sociedade do fim do século XIX. 

 

 5 – A conquista (Coelho Neto)

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Um dos primeiros e mais importantes títulos nacionais do chamado bildungsroman, o romance de formação, A conquista vai um pouco além. Escrito por Coelho Neto, é um retrato da boemia e vida de poetas, teatrólogos, jornalistas e intelectuais do Rio de Janeiro de 1899, ano que o livro foi publicado. Não só isso, como seus personagens fazem referências a importantes nomes literários, como Aluísio Azevedo, Olavo Bilac, Paula Ney, Luís Murat e, claro, o próprio Coelho Neto. Seu título é uma homenagem à abolição da escravatura. 

 

 

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